Lar doce lar
Depois de meses com caixas espalhadas por nossas cabeças enfim nos mudamos. Meus aposentados pais decidiram morar perto da praia, na região oceânica da cidade. Caguei. A praia para mim pode secar, ser aterrada e virar estacionamento porque eu não dou a mínima para ela.
E claro, a minha vida já não era difícil o bastante. Levar duas horas e meia para chegar no trabalho não era emoção suficiente. Agora preciso de no mínimo três.
E é tão estranho chegar em uma casa nova, digo que já era habitada antes. Isso não tinha acontecido na nossa última residência a qual havia sido planejada e construída do nosso jeito. A nova – que não é nova - está cheia de sinais, de presenças, de cores que não são nossas. Louvado seja Deus, inclusive.
A dona era “artista plástica” (espero que as aspas já tenham dito tudo) e ainda que caprichosa, tinha um gosto, digamos, duvidoso. Todas as paredes, todas mesmo, têm uma textura. E diferente. Nem os tetos dos banheiros escapam e um deles é pintado de azul pavão.
O meu quarto – antes habitado por sua filha – é lilás, branco e roxo berinjela. Eu sei que você está pensando se tratar de uma garota de onze anos. Ledo engano. Era uma mulher de seus trinta e poucos.
Juro, parece coisa da Elke Maravilha. As paredes ainda ostentam uns círculos de massa medonhos, meio tortos e por conta deles, creio estar desenvolvendo uma espécie de toc (transtorno obsessivo compulsivo). Minina, não é que fico contando as malditas bolinhas o dia todo? Tenho a impressão que elas vão descolar da parede lilás cor de esmalte da coleção Hebe e cair na minha cabeça. Doidera!
Mas abafa, é só amassar um ocadilzinho na goiabada cascão que passa.
No primeiro banho, descobri a pior parte. A água quente provém nada mais, nada menos de um boiler elétrico. Estou bem certo, nesse momento, de que o corno que inventou o boiler vai arder por toda eternidade em um lago de fogo e enxofre, só pode. Como assim esperar horas para a meleca da água esquentar, minha gente? Eu que já acordo 5:30 da madrugada, agora tenho que levantar as 5 para ligar a porra do troço. Me diz se isso é de Deus?
Não pode ser.
E aquele instrumento maligno ainda gasta mais energia que os EUA inteiro. Juro. Tenho saído de casa com medo de encontrar um bando de manifestantes do greenpeace pelados no jardim.
Bom, 2008 promete. Caso eu conte aqui que fui à praia, ou você me encontre bronzeado com uma bermuda florida (pavor) por ai, faz um favor, me interdita, oquei?
E claro, a minha vida já não era difícil o bastante. Levar duas horas e meia para chegar no trabalho não era emoção suficiente. Agora preciso de no mínimo três.
E é tão estranho chegar em uma casa nova, digo que já era habitada antes. Isso não tinha acontecido na nossa última residência a qual havia sido planejada e construída do nosso jeito. A nova – que não é nova - está cheia de sinais, de presenças, de cores que não são nossas. Louvado seja Deus, inclusive.
A dona era “artista plástica” (espero que as aspas já tenham dito tudo) e ainda que caprichosa, tinha um gosto, digamos, duvidoso. Todas as paredes, todas mesmo, têm uma textura. E diferente. Nem os tetos dos banheiros escapam e um deles é pintado de azul pavão.
O meu quarto – antes habitado por sua filha – é lilás, branco e roxo berinjela. Eu sei que você está pensando se tratar de uma garota de onze anos. Ledo engano. Era uma mulher de seus trinta e poucos.
Juro, parece coisa da Elke Maravilha. As paredes ainda ostentam uns círculos de massa medonhos, meio tortos e por conta deles, creio estar desenvolvendo uma espécie de toc (transtorno obsessivo compulsivo). Minina, não é que fico contando as malditas bolinhas o dia todo? Tenho a impressão que elas vão descolar da parede lilás cor de esmalte da coleção Hebe e cair na minha cabeça. Doidera!
Mas abafa, é só amassar um ocadilzinho na goiabada cascão que passa.
No primeiro banho, descobri a pior parte. A água quente provém nada mais, nada menos de um boiler elétrico. Estou bem certo, nesse momento, de que o corno que inventou o boiler vai arder por toda eternidade em um lago de fogo e enxofre, só pode. Como assim esperar horas para a meleca da água esquentar, minha gente? Eu que já acordo 5:30 da madrugada, agora tenho que levantar as 5 para ligar a porra do troço. Me diz se isso é de Deus?
Não pode ser.
E aquele instrumento maligno ainda gasta mais energia que os EUA inteiro. Juro. Tenho saído de casa com medo de encontrar um bando de manifestantes do greenpeace pelados no jardim.
Bom, 2008 promete. Caso eu conte aqui que fui à praia, ou você me encontre bronzeado com uma bermuda florida (pavor) por ai, faz um favor, me interdita, oquei?
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